A Mãe Natureza: O Templo Vivo da Criação
- Rodrigo OCordeiro
- 19 de jul. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 9 de ago. de 2025

A Natureza é o primeiro templo. Antes que existissem paredes, escrituras e rituais, já existia o sagrado silêncio das florestas, o murmúrio das cachoeiras, a dança do fogo e o abraço invisível do vento. Na visão da Ordem dos Monges Peregrinos Descalços, a Natureza não é apenas um cenário — ela é a própria manifestação do Divino, viva, pulsante, consciente.
A mata é o útero da Terra. Nela, tudo respira em segredo. As folhas sussurram orações, os galhos estendem os braços ao céu, os animais se movem em silêncio como monges antigos que conhecem os caminhos ocultos da alma. Ao caminhar entre as árvores, o peregrino se desfaz do ego e retorna à sua essência ancestral.
Os oceanos são os grandes corações da Terra. Eles guardam memórias de eras esquecidas, ritmos que embalam a vida e a morte com a mesma ternura. As ondas ensinam ao monge o fluxo da existência: subir e descer, chegar e partir, dar-se e recolher-se. O mar é o espelho líquido do espírito.
A terra é o chão que nos sustenta, a pele sagrada da Mãe Divina. Cada pedra, cada grão de areia, cada cova aberta na mata é um testemunho da eternidade. A terra nos ensina a paciência, a humildade, o acolhimento. Por isso, os monges peregrinos andam descalços — para sentir o pulsar do mundo sob os pés e lembrar que viemos do pó, e ao pó retornaremos, com amor.
O fogo é o espírito do despertar. Ele queima a ignorância, aquece o coração, ilumina os caminhos. Mas também exige respeito. É o mestre severo que purifica pela chama. Nas fogueiras que fazemos sob as estrelas, o fogo se torna oração acesa, presença viva do espírito que transforma.
O ar é o sopro divino. Invisível, mas essencial. É ele que leva as palavras, que movimenta as nuvens, que embala as folhas. Ao inspirar profundamente, o monge não apenas respira — ele comunga com o Sopro da Criação. O ar nos ensina a leveza, o desapego e a liberdade.
O céu é o altar infinito. Nele vivem os mistérios. A luz das estrelas, os ciclos da lua, os raios do sol e o véu azul do dia formam um mandala celeste. O céu é lembrança constante de que somos parte de algo muito maior. Cada nuvem que passa é uma escritura viva, e cada aurora, uma nova página do Eterno.
As cachoeiras são lágrimas de alegria da Terra. São as bênçãos que descem dos montes, purificando os corpos e as almas. Ao banhar-se em suas águas, o monge se despe do mundo e se veste de luz. A cachoeira é batismo natural, renascimento líquido, oração em movimento.
As pedras são os ossos do mundo. Elas guardam silêncio há milênios. Sentar-se sobre uma pedra é sentar-se no colo da eternidade. Elas ensinam a firmeza, a resistência e a sabedoria de permanecer onde é preciso, sem pressa.
As árvores são mestres vivos. Elas conectam céu e terra, espírito e matéria. Suas raízes mergulham no escuro, enquanto seus galhos se erguem em direção à luz. O monge aprende com elas a arte do equilíbrio: estar ancorado e, ao mesmo tempo, aspirar ao Alto. Cada árvore é um altar. Cada folha, um mantra.
Assim é a Natureza para nós, monges peregrinos: um mosteiro sem muros, um mestre sem voz, um livro sem palavras, uma oração eterna. Em cada canto da Criação, Deus se revela, silenciosamente, para aquele que sabe ver, ouvir e sentir com o coração desperto.
Com reverência à Terra e ao Céu,
Monge Junrei
Ordem dos Monges Peregrinos Descalços
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