top of page
  • Facebook
  • Instagram
  • Preto Ícone YouTube

Solidão e Solitude: O Chamado do Silêncio Interior. Uma visão contemplativa da Ordem dos Monges Peregrinos Descalços

Atualizado: 9 de ago. de 2025

Há um espaço no coração humano que ninguém pode ocupar. Um lugar sagrado e intocável, onde nem mesmo as palavras mais belas conseguem penetrar. Nesse espaço nasce a experiência da solidão — que pode ser dor ou bênção, escuridão ou revelação, exílio ou retorno.


Na Ordem dos Monges Peregrinos Descalços, aprendemos a diferenciar dois estados que, à primeira vista, parecem iguais, mas são completamente distintos: a solidão e a solitude.


A solidão é o vazio que dói.

É o silêncio que oprime.

É a ausência de vínculo consigo mesmo.

É a tentativa de preencher a alma com vozes externas quando o coração esqueceu sua própria canção.


Ela visita o homem moderno com frequência, mesmo quando cercado de pessoas. Porque a solidão não é ausência de outros — é ausência de si. É a desconexão com a própria presença. É o exílio do Ser. Ela clama por escuta, por acolhimento, por reencontro.


Já a solitude é o estado sagrado do eremita interior.

É o recolhimento da alma para ouvir a linguagem de Deus.

É a presença pura, sem máscaras.

É o regresso à essência.


Na solitude, não estamos sós — estamos plenos.

Nela, o silêncio não fere, ele cura.

A ausência de ruídos externos revela a voz do Espírito.

Aquieta-se o ego, e a centelha divina emerge com clareza.


O monge peregrino descalço busca a solitude como se busca uma nascente no alto da serra. Ele não foge do mundo, mas mergulha na vida interior para renascer com olhos mais puros, passos mais leves e coração mais compassivo. Ele aprende, pela experiência direta, que a verdadeira companhia é aquela que fazemos a nós mesmos, em comunhão com o Todo.


É na solitude que os véus caem.

É nela que encontramos os mestres invisíveis, os anjos calados, os ecos do Infinito.

É nela que o peregrino escuta os sussurros das montanhas, o conselho das árvores, o alento das estrelas.


Por isso, não tememos a solidão — mas a acolhemos com delicadeza, até que ela floresça em solitude.

Não a julgamos, não a afastamos. Apenas a iluminamos com a lanterna da presença.


Aos que sofrem pela solidão, dizemos:

permaneça. Respire. Entre.

A porta é estreita, mas conduz a uma vastidão de paz.

Não estás só. O Divino habita esse espaço contigo.


E quando a solidão se transforma em solitude,

a alma deixa de buscar fora,

e passa a contemplar dentro.


Monge Junrei

Ordem dos Monges Peregrinos Descalços

"O que para o mundo é ausência, para o espírito é presença plena."

 
 
 

Comentários


Contato

Envie uma mensagem aqui

Agradecemos por nos escrever!

Deseja saber mais sobre a Ordem?

Monge_edited.jpg

Gratidão.

Monge Junrei

Estrada dos Patos

Above the Clouds

© 2021 por OMPD - CNPJ: 44.151.764/0001-53 

bottom of page