Zenit e Nadir: A Senda entre o Céu e as Profundezas
- Rodrigo OCordeiro
- 17 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 9 de ago. de 2025

Na sagrada peregrinação interior, somos conduzidos por duas forças misteriosas e complementares: o Zenit e o Nadir. O Zenit representa o ponto mais elevado do céu, o ápice da luz, a direção da ascensão espiritual, onde o espírito toca o Infinito e contempla o Absoluto. Já o Nadir, em sua humildade silenciosa, é o ponto mais profundo abaixo dos nossos pés, o chamado à introspecção, à sombra, ao mergulho necessário nas camadas ocultas do nosso ser.
Na tradição da Ordem dos Monges Peregrinos Descalços, compreendemos que a verdadeira iluminação não se alcança apenas olhando para o alto, mas também reconhecendo as raízes que nos prendem à Terra. O monge, descalço e desperto, caminha entre o céu e o abismo, sabendo que há sabedoria tanto na luz quanto na escuridão, tanto na elevação quanto na queda, tanto na exaltação quanto no silêncio.
O Zenit nos ensina a manter os olhos voltados para a transcendência — é o Sol espiritual que brilha no zênite do nosso coração quando estamos alinhados com a Verdade, com a Compaixão, com o Amor que tudo permeia. É o momento da oração elevada, do cântico puro, da união com o Divino.
Mas o Nadir, seu oposto sagrado, nos convida à humildade do recolhimento, ao jejum da alma, à escuta profunda no templo do nosso próprio ser. No Nadir encontramos o ventre da Terra, a escuridão fértil onde as sementes do despertar são plantadas. É ali que curamos as feridas, reconhecemos os medos e, com coragem, dissolvemos o ego.
O caminho do peregrino é um eixo invisível entre esses dois pontos. O Zenit não existe sem o Nadir. A luz só é percebida pela existência da sombra. A glória só é verdadeira quando nasceu da renúncia. O despertar só é puro quando atravessou o vale da noite escura da alma.
Assim, caminhamos. Com os pés na terra e os olhos no céu. Com a alma rendida ao Grande Mistério. Com o coração entregue à Vontade Suprema. Somos como a linha que liga o alto ao profundo, como o bastão do peregrino que aponta para os céus enquanto toca suavemente o chão.
E nesse equilíbrio entre alturas e abismos, aprendemos a habitar o Presente, onde habita Deus - o Todo manifesto.
Com amor e reverência,
Monge Junrei
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Ordem dos Monges Peregrinos Descalços
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