Ansiedade: O Chamado da Alma por Presença. Um olhar espiritual segundo a visão da Ordem dos Monges Peregrinos Descalços
- Rodrigo OCordeiro
- 14 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 9 de ago. de 2025

Vivemos em um tempo apressado, onde os passos são guiados mais pelo medo do futuro do que pela confiança no presente. A ansiedade, esse sentimento tão comum nas almas sensíveis, não é um inimigo a ser combatido, mas um mensageiro que nos convida a escutar — a escutar com o coração desperto e a alma despojada.
A ansiedade nasce da ruptura com o agora. Ela se alimenta das projeções da mente, das expectativas não vividas, dos cenários imaginados que, quase sempre, jamais se concretizam. Quando deixamos de habitar o momento presente, abrimos espaço para que a inquietação tome assento em nosso templo interior. Mas, ainda assim, ela carrega uma chave: a chave do retorno.
Na visão da Ordem dos Monges Peregrinos Descalços, a ansiedade é compreendida como um véu que encobre o sagrado da vida simples. Ela nos afasta do chão sob nossos pés, do sabor da respiração, da textura das folhas ao vento, do pulsar da Terra. Por isso, o remédio não está na fuga, mas na contemplação. É preciso parar. Sentar. Ouvir. Respirar. Sentir.
A oração, quando feita com o coração inteiro, silencia os ruídos mentais.
A meditação, quando acolhe tudo o que é, dissolve as sombras com a luz da presença.
A caminhada em silêncio, com os pés descalços tocando a Terra, reencanta a alma.
O perdão e a gratidão, quando verdadeiros, curam as feridas da separação.
O ansioso é, na verdade, um buscador. Busca paz, mas procura fora. Busca segurança, mas a deposita no incerto. Busca repouso, mas corre em círculos. E é por isso que o caminho da autoiluminação é tão essencial: ele não oferece atalhos, mas verdade. Ele nos ensina a caminhar para dentro.
A ansiedade se dissolve quando voltamos a confiar na Vida como aliada, e não como ameaça. Quando aceitamos que não temos o controle, mas que podemos ter fé. Quando soltamos a âncora do passado e desfazemos os medos do porvir. Quando reconhecemos que o agora, mesmo imperfeito, é o único lugar onde o sagrado habita.
Aos que sofrem de ansiedade, dizemos: não estás só.
O seu sofrimento é compreendido, e o seu coração é honrado.
Mas agora, é hora de descansar os olhos da mente e abrir os olhos da alma.
De sentar-se à beira do silêncio, como quem volta para casa.
De entregar-se à oração, à natureza, ao sagrado.
De permitir-se simplesmente ser.
O caminho espiritual não apaga a ansiedade, mas transforma a tua relação com ela.
E, no tempo certo, como um orvalho suave, a paz virá.
Virá, não como uma conquista, mas como uma lembrança:
Tu és já inteiro. Tu és já luz. Tu és já livre.
Monge Junrei
Ordem dos Monges Peregrinos Descalços
"A serenidade nasce do encontro com o agora."






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